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A criança no mundo virtual


A vida de hoje precipitou-nos em uma torrente de informações audiovisuais cujo “degustar” parece, algumas vezes, aguçar nosso paladar cada vez mais e, em algumas ocasiões, ameaça tornar-se uma séria “indigestão” informativa. Tentamos desenvolver uma forma de selecionar e priorizar este acúmulo de informações, mas pouc as vezes nos apercebemos de que nossos esforços têm sido infrutíferos.

Neste caudaloso redemoinho de informações daremos uma parada para refletirmos sobre um ponto de fundamental importância. Como poderemos entender a relação da criança com os novíssimos meios de comunicação que estão cada vez mais rápidos e abertos? Tablet, iPhone, Youtube, Instagram, Whatsspp... Como filtrar o que é ofertado às novas gerações? Passados apenas 50 anos, meios como a televisão e o cinema, que vinham para “substituir” todas as outras formas de comunicação de massas, tais como rádio e o teatro, as artes visuais como pintura, escultura ou a música, foram ultrapassados, em termos de atingimento das massas, pelo advento do computador e da Internet, mormente a partir dos anos 90. O advento revolucionário da comunicação através do computador tem um enorme impacto na vida infantil.

Freud (1908) em seu texto Escritores Criativos e Devaneios escreveu que “a ocupação favorita e mais intensa da criança é o brinquedo ou os jogos”. E ainda diz: “acaso não podemos dizer que ao brincar toda criança se comporta como um escritor criativo, pois cria um mundo próprio, ou melhor, reajusta os elementos de seu mundo de uma nova forma que lhe agrade?" Considerou o efeito do lúdico na criança, ou seja, que o brincar faz parte de seu mundo simbólico.

Podemos observar que o computador, com seus jogos, internet e imagens vibrantes atua como um brinquedo interessante para ela, alcançando em alguns casos a função de um relacionamento particular e próprio de apoio a seu universo, como a alguns anos já ocorrera com a televisão. Porém o computador propicia à criança não só o acesso à imagem, mas também o controle sobre um universo consideravelmente adulto, onde vários aspectos da vida estão disponíveis para que ela os controle, tais como, dirigir, cometer atos de violência, ganhar dinheiro, etc.

Desse modo, faz-se pertinente refletir-se sobre a vida das nossas crianças hoje. Observamos que a criança passou a ocupar um lugar, principalmente na família, para o qual não tem maturidade e, portanto, não consegue lidar com as responsabilidades advindas desse novo posicionamento, na qual elas têm demandas imediatistas e autoritárias. Por exemplo, o querer imediato da criança, em face da instantaneidade das ofertas do mundo atual. É importante que a criança tenha sua liberdade de expressão e sentimento, mas que tenha a segurança de que não tem a responsabilidade e a autonomia para arcar com as conseqüências de suas decisões.

Outra questão que observamos é que temos hoje uma agenda lotada, inclusive as crianças. Não há muito tempo para conversar sobre o dia. Os adultos ficam cansados demais para educar ou corrigir as crianças sendo, por isso, mais cômodo que elas decidam tudo por si próprias. Assim, deixam de construir laços em família, acarretando que a criança torne-se independente demais e também desorientada. É primordial que os pais escutem às manifestações e demanda da criança, porém não exagerem em atender a todos os desígnios desta, criando uma sensação artificial de que todos os desejos lhes são possíveis e imediatamente realizáveis. Sobrepujada por esta carga de exploração e disponibilidade, a criança pode se tornar dependente e passiva em relação aos relacionamentos sociais, passando o computador a substituir, irremediavelmente, o mundo real. Os adultos devem orientar as crianças quanto a este acesso a pessoas e informações e equilibrar, na medida do possível, com relações reais no seu circulo social e no da criança.

#psicologia infantil

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