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Adolescência num mundo em transformação



Muitas são as queixas dos adultos em relação aos adolescentes de hoje. Reclama-se do perfil, interesses e atitudes em muitos aspectos de suas vidas. Esperam que sejam obedientes, respeitosos, concentrados e interessados nos estudos, não violentos, mais quietos, menos questionadores, não egoistas e mais amáveis com os amigos. No entanto, se refletirmos acerca das mudanças sociais observaremos que estes respondem de maneira visível que a humanidade mudou muito em todas as camadas sociais.

É natural a mudança do homem, pois é um ser em transformação e também é natural que as crianças e adolescentes de hoje sejam diferentes, pois se adaptam com muita facilidade à cultura e contexto que estão inseridos. O homem de hoje tende a ser ágil, consumista, independente, imediatista, estressado pelas pressões que está submetido, superficial na relações, desejoso em obter status, preocupado com o corpo e estética, ansioso, pois tem muitas coisas a fazer e a ter. Na verdade, mesmo demonstrando ser difirentes dos adultos, os jovens respondem à cultura e estilo de vida que encontram no contexto social que vivem. Não podemos esperar que sejam diferentes, pois para seu ponto de vista precisam ser quando adultos parecidos com o que vê, pois assim poderá obter o reconhecimento e admiração que todo ser humano almeja. Assim é natural que apesentem o perfil e atitudes que vemos hoje!

Com o avanço das ciências humanas e da saúde (avanço este fundamental ao desenvolvimento humano), mudamos o modo de nos relacionarmos com os filhos e alunos, sendo estes “chamados” a uma posição inapropriada. Hoje, há um respeito pelo que dizem e são incentivados para que expressem, que questione, que raciocine. Realmente eles se desenvolvem muito bem num ambiente onde podem ser escutados, onde seus direitos, sentimentos e opiniões são respeitados. No entanto, é importante atentar para o limite deste incentivo, pois pode-se confundir esses direitos com a possibilidade de ter autoridade, liberdade excessiva para falar e fazer o que quer, assim como ser adulto fora do tempo.

“Uma vez que a adolescência é caracterizada por mudanças das quais nem o próprio adolescente consegue explicar é necessário que aqueles que o rodeiam saibam também lidar com essa situação; o que o jovem precisa é sentir-se seguro, é que se abram espaço para que ele possa de alguma forma expressar o que sente, sem medo de ser questionado e/ou criticado.” (DOLTO, 1990)2

A adolescência é um momento muito delicado, pois estes não se sentem mais como crianças dependentes de seus pais, mas ao mesmo tempo ainda não estão seguros para comandar suas vidas e decidir seu caminho com total segurança como um adulto. Na verdade, ele ainda é um ser em desenvolvimento e não está pronto para uma total independência. Tentam agir com auto-afirmação, rebeldia aos custumes e desejos de sua família. Demonstram que não se importam com o que sua família valoriza. Querem ser diferentes de seus pais para mostrarem independência e sentirem-se como adultos, numa tentativa de aceitar a entrada neste novo mundo. Mas, na verdade ainda têm muitas coisas de crianças e sentem-se inseguros, pois não sabem o que viverão no futuro. Eles estão a caminho da vida adulta, em fase de definir a personalidade, escolher carreira profissional, descobrir a sexualidade, etc.

"Ele vive uma fase de mutação essencial para o resto de seu desenvolvimento, é nessa fase que ele constrói as bases daquilo que ele será mais tarde, qualquer “trauma” que possa acontecer pode tornar-se uma cicatriz para o resto da vida; todavia, essas mudanças tão acentuadas e estranhas ao que ele estava acostumado além de inseguro o deixam frágil. Essa fragilidade pode mostrar-se por meio de agressões, físicas ou verbais, que seria uma maneira que ele encontra para proteger-se, é mais fácil desafiar antes que te desafiem. (DOLTO, 1990)2

Eles ainda precisam passar por situações e adquirir experiências e aprender que na vida existe lei, que ele não pode tudo como imagina e que inclusive suas exigências nem sempre serão atendidas no mundo real. Mas aprenderá também que pode algumas coisas, que pode desejar e sonhar, expressar suas vontades, opiniões e interesses. Porém, é importante que assimilem que nem sempre obterão esses desejos em sua totalidade.

Temos o desafio de mudança em relação a maneira como nos relacionamos com os jovens de hoje, pois apesar de parecer que estão isolados no mundo deles e de seus amigos, na verdade estão muito atentos ao mundo que os cercam. Eles não estão alheios ao que acontece e suas atitudes certamente estão direcionadas a alguém ou a algumas pessoas que lhes são significativas, mesmo que estas atitudes sejam estranhas, agressivas ou desagradáveis.

Torna-se fundamental olharmos para estes sob uma nova perspectiva, pois se observarmos bem eles querem seguir modelos e precisam da segurança dos adultos. E podemos nos perguntar: Que modelos estão seguindo? Para quem dirigem o olhar? Para quem endereça seus sintomas e patologias? O que querem nos falar com atitudes que não concordamos? E em que podemos mudar em nosso estilo de vida e atitudes na relação com estes que necessitam muitíssimo da intervenção, paciência, afeto, compreensão e companheirismo dos adultos.

Bibliografia:

1. ALBERTI, S. (2004). O Adolescente e o Outro. Jorge Zahar Ed. RJ

2. DOLTO, F. (2004). A Causa dos Adolescentes. Ideias e Letras. SP

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