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Perdas, luto, saudades!!!


Saudades!!! Expressão que representa bem a dor que sentimos ao perdermos pessoas que amamos, que estiveram presentes em nossa vida. Essa dor geralmente nos trás tristeza, angústia e muitos questionamentos sobre o que é a vida e o que esperar dela.


A separação de quem amamos é difícil e o adeus pela morte desafia qualquer um a manter o equilíbrio e a esperança. É um momento em que voltar-se para si mesmo faz parte do processo de luto.


E por que dói tanto? Sem a pretensão de responder a essa pergunta, penso que nascemos com a necessidade de relacionamentos, de troca, de in


teração e quando nos separamos pela morte, sentimos o corte que a vida impõe.


A morte do outro nos faz também refletir na finitude da nossa vida, que há um fim para nossa existência, e muitos se angustiam com este mal estar e realidade. A angústia vem pelo vazio que a morte trás e por esse assunto transcender ao nosso entendimento.


É natural no processo de luto o querer isolar-se, se sentir triste, chorar, lamentar a perda, recordar a vivência com aquele que já não está em nosso cotidiano.


Pensar que não teremos mais a companhia daquela pessoa que de muitas formas nos marcou e nos fez feliz, causa uma dor que as palavras não conseguem expressar. O vazio que a morte desta pessoa deixou é imenso. No momento de luto e mesmo com o passar do tempo é estranho não ouvir sua voz, não te


r a sua presença e não poder mais socializar com ela.


Freud¹, em seu texto 'Luto e Melancolia', retrata a condição do homem em luto como triste por viver perdas. Afirma que nestas situações, estar só pode ser importante para quem perdeu alguém que lhe foi significativo. Aquele que perdeu precisa se despedir e também de um tempo para ligar-se emocionalmente a outras fontes de satisfação na vida. Já o melancólico, não sabe lidar com as perdas que sofreu, isola-se em seu mundo particular e nutre-se de sentimentos e pensamentos destrutivos.


Falar, recordar os bons momentos que tiveram juntos e destaca


r as coisas boas que deixou também acalma o coração e conforta ao que sofre. Essa prática é recomendada para aliviar a dor. Há culturas em que as pessoas se reunem em datas específicas para celebrarem, conversarem sobre a vida da pessoa que faleceu e prestar suas homenagens. E por acreditarem que há vida após a morte, e uma vida muito melhor, sem dores e prantos.


Seguindo o raciocínio e as recomendações de Freud, ao que fica cabe o trabalho de reflexão sobre a perda e ligar-se a outras coisas, pessoas e tarefas.


Seguir com a vida significa se ligar ao mundo externo de novo, desenvolver outras relações, porém de forma diferente, pois sua vivência com aquela pessoa foi única, especial. As boas lembranças ficaram. O que o outro deixou ficará conosco para sempre, sua marca, seu jeito de ser e de se relacionar. E certamente terá um lugar especial em nossa vida.



¹Referências bibliografias:

FREUD, S. (1917) "Luto e Melancolia". Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, vol. XIV. Rio de Janeiro: Imago.

_________ (1916) "Sobre a transitoriedade". Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, vol. XIV. Rio de Janeiro: Imago.






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