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Marcas da vida: o que representam?

Quem não carrega as suas? Marcas são sinais de que algo nos atravessou e deixou um vestígio, um rastro que não se apaga. Também podem ser símbolos — pequenos mundos condensados — que traduzem uma ideia, um sentido íntimo de quem os cria. Pensemos numa tatuagem: cada traço guarda uma história secreta, um motivo que repousa na pele.

Marcas sempre se mostram, seja no corpo, seja na alma. Nunca desaparecem por completo. Podem ser feridas antigas, traumas, narrativas que nos moldaram. Mas também são lembranças luminosas, alegrias que despertam saudade e aquecem o peito com nostalgia.

Quando surgem no corpo, denunciam o ponto exato onde houve uma ferida, um selo, um carimbo que nos acompanha. No psiquismo, porém, elas se escondem em silenciosas inscrições: manifestam-se nos pensamentos, nos gestos, nos desejos, embora muitas vezes permaneçam invisíveis. São registros inconscientes, memórias adormecidas que despertam em fantasias, imagens, construções que nos habitam.

Tudo tem um sentido — singular, íntimo, irrepetível. E cada pessoa convive com suas marcas à sua própria maneira.

No filme Marcas da Vida (2022), vemos o drama (baseado em uma história real) de um jovem que carrega a marca da adoção e busca compreender o eco deixado pelos pais biológicos. Ele não se percebe rejeitado; ao contrário, sente gratidão pela escolha que permitiu que uma nova família o encontrasse.

Nesse olhar, a adoção imprime marcas de acolhimento, afeto e renascimento. Ela abre caminho para outra história possível.

As marcas negativas, por sua vez, nos alertam: acendem luzes de cuidado diante dos perigos e das escolhas impensadas que cometemos.

As marcas positivas, essas, nos enchem de bem-estar e nos impulsionam a reviver experiências que nos fazem florescer. A Psicanálise nos lembra que o ser humano, incansavelmente, foge do desprazer e busca o prazer, a satisfação — e talvez as marcas sejam o mapa que guia essa travessia.


 
 
 

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