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Solidão, Solitude e Depressão



Para falar de solidão trago as histórias de 2 artistas geniais, que certamente fizeram diferença, marcando muitas gerações com suas criações. Um deles expressou o quanto era importante estar só em alguns momentos de sua vida para criar e desenvolver seu talento. O outro, tomou a solidão como uma consequência de um estado depressivo, isolando-se para esconder seu sofrimento, vergonha e angústia. Refiro-me a Mozart e Beethoven.


Mozart escreveu que sua inspiração se dava muitas vezes num momento em que estava sozinho e quando se permitia ser ele mesmo. Disse: "São nessas ocasiões que minhas ideias fluem melhor e com mais abundância. Logo, descubro como posso transformar esta ou aquela migalha de inspiração em algo digno. Quanto deleite isto me trás, é algo que não consigo exprimir. Toda essa inventividade, essa produção ocorrem num sonho vívido e agradável."


Beethoven, outro artista famoso, também escreveu sobre o estar só. Seus escritos foram encontrados após sua morte e parece que escreveu para alívio de seus sofrimentos, quando começaram os primeiros sintomas de sua deficiência auditiva. Esta situação o levou ao isolamento e tristeza. O título desse escrito é "Por que busco sempre a solidão." Nesse texto explicou as razões de seu sofrimento. Na ocasião era considerado, segundo suas palavras, antipático e melancólico. Expressa que tais julgamentos sobre a sua pessoa eram injustos, pois seu coração e espírito foram, desde a infância inclinados à cordialidade, disposto a praticar grandes ações. E continua dizendo: "Nascido de um temperamento alegre e ativo, cedo tive que me afastar das pessoas e levar uma vida solitária. Portanto, perdoem-me se me virem ficar à parte, quando gostaria de me juntar à companhia de vocês."


Beethoven relatou que havia uma razão secreta para essa sua atitude. "Ah! Como me seria possível revelar a fraqueza e um sentido que eu deveria possuir num grau mais perfeito do que os outros homens? Tenho que viver como um exilado e quando me aproximo das pessoas receio que percebam a minha surdez", diz. Assim, para ele, a solidão era a maneira que conseguia viver para não reconhecer diante das pessoas uma deficiência muito difícil de suportar, pois ouvir era seu principal dom. Na verdade, parece que não se deu conta que sua escuta não era apenas ouvir sons, mas ia muito além de uma escuta comum. Concentrou-se em sua incapacidade física de não ouvir e chegou a dizer que essa experiência era como um "castigo triste". O isolamento e a solidão foram a saída que encontrou, deixando a convivência com as pessoas para esconder sua desesperada situação. Exigia de si mesmo a perfeição em ouvir e não lhe foi possível perceber que sua dificuldade o levaria a um nível ainda maior de perfeição para criar sua arte. Beethoven foi reconhecido mundialmente por esse extraordinário dom de compor - mesmo sem ouvir sons - e como forma de transmitir suas músicas.


Nessas histórias vimos que a solidão pode ser vivida de formas distintas, servindo para criatividade e solitude ou para o isolamento e estado depressivo. Mozart vivia a solidão como um bem-estar, um tempo precioso que lhe dava prazer para criar, compor suas músicas. A esta solidão chamamos de solitude. A gramática explica que a solitude "é um estado de isolamento e reclusão, onde a pessoa não está em contato com outros indivíduos. Esse estado, é geralmente, decorrente de uma escolha proposital. Diferente da solidão, a solitude está associada à sentimentos positivos, à alegria em estar sozinho." Ela escolhe ficar só em alguns momentos de sua vida para um período de reflexão, interiorização ou criação.


Freud, em seu texto 'Luto e Melancolia', retrata a condição do homem em luto como triste por viver perdas. Em algumas situações de luto, estar só pode ser importante para alguém que perdeu algo ou alguém. Aquele que perdeu precisa se despedir e também de um tempo para ligar-se emocionalmente a outras fontes de satisfação na vida. Nesses casos, geralmente a pessoa também prefere estar só. Já o melancólico não sabe lidar com as perdas que sofreu, isolando-se em seu mundo particular, chegando a nutrir pensamentos destrutivos e sentimentos negativos sobre si mesmo.


Solidão, solitude e depressão são vivências diferentes. Estar só nem sempre significa tristeza, sofrimento e depressão. No exemplo de Mozart, a solidão era sinônimo de solitude, como vimos. Ele precisava da solitude para criação, contemplação e crescimento pessoal. Alguns, como Beethoven, vivem o isolamento e o desejo de estar só por perdas que viveram. Outros, ainda, vivem um estado de melancolia, onde a pessoa tem pensamentos ou atitudes de autodestruição.


E você, sente-se sozinho? Como é sua solidão? Gosta da solitude? Comente sua experiência.


Bibliografia:


BEETHOVEN, Ludwig Van (1802) “ Por que busco sempre a solidão ”, in Cartas inspirativas (1998), Mundo Cristão, SP (1998).

FREUD, Sigmund (1915) "Luto e melancolia", in A história do movimento psicanalítico. Vol. XIV. Imago.

MOZART, Wolffgang Amadeus. " O dom da Criatividade) ", in Cartas inspirativas (1998), Mundo Cristão, SP (1998).


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"E quando sou, suponho, completamente eu mesmo, estando inteiramente a sós, (...) - que minhas ideias fluem melhor e com maior abundância. De onde e como elas vêm, não sei; nem está em mim forçá-las. (...) Tudo isso me abrasa alma e, desde que eu não seja perturbado, meu tema se amplia... (Mozart)



"Portanto, perdõem-me se me virem ficar à parte... apesar de surdo , faço tudo que está ao meu alcance para ser admitido na categoria dos artistas e dos homens dignos. Que ao menos tanto quanto possível o mundo se reconcilie comigo depois que eu morrer." (Beethoven)


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